15/12/2008

- Dor que dói mais...



Trancar o dedo numa porta dói.




Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói.

Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.



Mas o que mais dói é saudade.



Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.



Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.



Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida.



Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá.



Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde.



Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã.



Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.



Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.



Saudade é não saber.



Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.



Saudade é não querer saber.



Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela.



Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.



Martha Medeiros

29/11/2008

- Levar nos olhos e guardar bem...




Aldeia do Papai Noel



Lago Negro em Gramado



Mini Mundo



Hoje foi mais um dia lindo por aqui.
Em se tratando dessa época , temos que entrar nessa magia e com crianças junto isso fica bem mais fácil...
Passeamos por locais lindos, como o Lago Negro .
Lá se pode passear pelos caminhos todinhos rodeados de hortências , andar de pedalinhos ou simplesmente sentir o cheirinho das flores, ouvir os passarinhos...
Visitamos ainda, algo imperdível e lindo, a Aldeia do Papai Noel, onde as crianças podem fazer e imaginar tudo que têm direito.
Fomos ainda no Mini Mundo, um parque temático com as réplicas de castelos, estações férreas da Alemanha, Suíça e vários outros locais, tudo numa escala reduzida. São perfeitas!
Ali dentro nem sabemos para onde olhar!
Lá na casa do papai Noel, havia um lindo quadro, de madeira, muito antigo e entalhada nele uma mensagem, que trago aqui, traduzida, pois a original é em alemão.
"O homem precisa de um lugarzinho, mesmo que seja pequeno, para que possa dizer:
- Veja, isso aqui é o lugar onde vivo, onde amo, onde descanso...Aqui é minha pátria,Aqui estou em casa"...
A autoria é desconhecida, porém diz muito...
Estando nós em casa, na rua, em passeios ou não,em meio à tudo, temos que ter um cantinho nosso do qual nos orgulhar e sentir bem...
Tudo que é lindo nos passeios e viagens acaba.
São dias lindos porém temos que cair novamente na real...
Se dentro de nós estamos com esse pedacinho em paz, a encontraremos fora de nós também, ainda que em lugares que não tenham toda essa magia...
Que todos nós possamos dizer e pensar assim, tendo um refúgio nosso, um cantinho de paz ...
Assim, poderemos, orgulhosamente dizer:
Aqui eu amo, aqui eu descanso, aqui vivo e estou em paz!
Ótimo domingo a todos e amanhã, retorno ao ritmo normal.










26/11/2008

- Netos...






















No dia em que completo 60 anos, achei bem interessante esse texto... E dedico aos meus netos e a alegria de tê-los, uns pertinho, outros por força da vida, longe... Mas todos,netos...(Chica)


Netos são como heranças.


Você os ganha sem merecer.


Sem ter feito nada para isso.

De repente lhe caem do céu...


O neto é, realmente,o sangue do seu sangue,filho do filho,mais filho que filho mesmo...

“Os netos são filhos com açúcar”...


Cinqüenta anos, cinqüenta e cinco...


Você sente, obscuramente,que o tempo passou mais depressa do que esperava.


Não lhe incomoda envelhecer, é claro.


A velhice tem suas alegrias,as suas compensações.


Todos dizem isso,embora você, pessoalmente,ainda não as tenha descoberto,mas acredita.


Todavia, também obscuramente,sente que às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade.


Do tumulto da presença infantil ao seu redor.


Meu Deus, para onde foram as suas crianças?


Naqueles adultos cheios de problemasque hoje são os filhos,que tem sogro e sogra, cônjuge,emprego, apartamento e prestações,você não encontra de modo algumas suas crianças perdidas.


São homens e mulheres adultos;não são mais aqueles que você recorda.


E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto,o doutor lhe coloca nos braços um bebê.


Completamente grátis,nisso é que está a maravilha.


Sem dores, sem choros.


Aquela criancinha da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida.


Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho,é um Filho seu que lhe é devolvido.


E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito de o amar com extravagância.


Ao contrário, causaria espanto, decepção se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor recalcado que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.


Sim, tenho certeza de que a vida nos dá netos para nos compensar de todas as perdas trazidas pela velhice.


São amores novos,profundos e felizes,que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis.


É quando vai embalar o menino e ele,tonto de sono abre o olho e diz:


"Vó ", seu coração estala de felicidade,como pão no forno!


Rachel de Queiroz



- Brigando pelas "janelas"...




Quando minhas irmãs e eu éramos pequenas, nossos pais gostavam muito de passear de carro.

Bem, esse nunca foi o programa predileto das crianças e nem o nosso.

Morávamos no Rio e eles gostavam de ir para os arredores, Friburgo, Terezópolis, Petrópolis, Cabo Frio, todos lugares lindos mas nós, mesmo passando por tantas belezas, apenas estávamos preocupadas em brigar pela janela do carro.

Ninguém queria ficar no assento do meio e a viagem era feita a trambolhões e cotoveladas umas nas outras... Muuuuuuito tranquilo!

Lembrei disso, esses dias e fiquei pensando em quanto perdemos...

Apenas passamos pelos lugares e o interesse, "neca de pitibiriba." Nada vimos!

Mas, éramos crianças...Até podemos ser desculpadas.

O pior é quando vemos, e como vemos por aí, os que simplesmente estão passando pelas suas vidas, aqui nesse nosso local "alugado" e nem ao menos se dão conta do cenário...

Apenas , como nós fazíamos, brigam "pelas janelas" só que no sentido de querer sempre levar a maior vantagem, achar que enxergam mais do que os outros, sem aproveitar o caminho...

Que todos nós consigamos, estar sempre atentos para perceber, além das belezas pelas quais passamos e que nos rodeiam, também tudo aquilo, cada detalhe que pode ser observado e "juntado" por nós para ajudar no nosso caminhar...(Chica)